Saca la fueto

– Coloca a venda nos olhos.

– Tá frio aqui.

– Arruma o lençol junto ao corpo, como se estivesse dormindo de verdade.

– Com esta merda no meu olho vou acabar dormindo mesmo.

– Durma.

– Até parece.

– Assim está bem. É uma imagem muito bonita. Holga vai gostar.

– Quem é Holga?

– Minha máquina.

– Quem deu este nome?

– A fábrica.

– Mentira.

– Sério. Holga, uma maquininha russa, tosca, véia, mas que vê imagens como esta.

– Como escreve?

– Com h.

– No começo?

– Sim.

– Porque mesmo tô de novo posando?

– Porque fizemos uma aposta, você perdeu.

– Muito escroto cobrar aposta.

– Se eu perdesse você ia morar de graça no meu apartamento.

– Eu não ia cobrar.

– Ia.

– Não ia.

– Mas eu ia pagar de qualquer jeito.

– Até parece.

– Cala a boquinha formato coração, por favor? Tô concentrado.

– Na minha bunda.

– Shhh.

– Se você não fosse tão branca esta podia ser uma sessão de fotos da Leila Diniz.

– Cafuné eu quero até de macaco.

– Que?

– Uma frase que ela dizia e que gosto.

– É boa.

– Está bonito?

– Muito bonito. E pelo tanto que você se mexe, até que consigo fotografar uma e outra coisa sem borrar.

– Já tô sem ver nada quer que eu fique parada?

– Na posição da foto, quero.

– Vai-te a merda.

– Sempre educada.

– Posso sentar?

– Minha última pose do filme.

– Sentei.

– Você me dá medo.

– Porque?

– Porque não sabe quem é.

– Sei muito.

– Não sabe. E, se Deus existe, nunca vai saber.

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Senta ai

– Homem só chora no banho, de porta fechada.

– Quem disse?

– Todo mundo sabe?

– Como uma regra?

– Como uma regra.

– Seguida por heterosexuais ortodoxos e praticantes ou por todos?

– Todos. Quase.

– E isso?

– O que?

– Não é uma lágrima?

– Mas a gente tá assistindo filme.

– E dai?

– Dai pode.

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Histórias de amor acontecem por acaso

– Faz uma música pra mim?
– Já fizeram.
– Nunca.
– Claro que fizeram. Na minha opinião, metade das músicas deste mundo foram feitas pra ti.
– É uma mentira canalha. Mas que quase me convence que sou capaz de te amar.

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Quer sair comigo?

– Na hora do almoço eu invento botões vermelhos que podem destruir o mundo.

– Todos os dias?

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Alguns constrangimentos são eternos*

– Arruma esta camisa, Carlos Roberto.

– Mãe, pára.

– Arruma pelo menos a gola faz favor? Tá toda amassada.

– Que saco, Mãe.

– Ajeita essa camisa que eu paro.

– Assim?

– Ficou pior, deixa que eu faço.

– Mãe, as pessoas estão olhando.

– Que que tem?

– Estas pessoas trabalham comigo.

– E não tem mãe, não?

– Eu tenho 38 anos.

– E pro colo de quem tu vai correr se um dia te demitirem?

* Ideia e palavras de Felipe Drummond. O mesmo.

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Ao inventor do telefone, um beijomeliga

– O Papa hostinha vai passar o aniversário dele com o maníaco do parque.
– Que?
– Porra, Cristiane.
– Eu não tenho a obrigação de compreender teus códigos.
– Tem sim.
– O Papa hostinha, guria.
– O Papa Bento 16?
– Este.
– Que tem?
– Vai fazer uma festa de aniversário na casa do maníaco do parque.
– Na cadeia?
– Como na cadeia?
– O maníaco do parque está na cadeia.
– Mas se ele é presidente dos estados unidos! Não vai ser preso nem por um caralho. Nem se jogar quatro crianças pela janela.
– O maníaco do parque é o Bush?
– Mas claro.
– Eu não sabia.
– Burra.
– Mas então, o papa hostinha vai fazer uma festinha lá, na casa do maníaco.
– O Bento 16 vai passar o aniversário dele na casa do Bush. Que tipo de informação é esta?
– E eu sei? Mas prova que eles vão apertar o botão vermelho.
– O que explode o mundo?
– Este.
– E o que a gente vai fazer?
– Dar risada, né? Só vai restar baratas e o Bozo.
– Pai?
– Que?
– Eu já te agradeci por me ligar todo dia?

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Fechamento sem madrugada não é fechamento

– É verdade que você foi modelo, Ed?

– É.

– A Haydee também.

– Foi modelo?

– Foi. Modelo de lego.

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